Anuário: Equipes "irmãs" dominam temporada
Times de Andreas Mattheis vencem oito das 12 provas realizadas em 2008
Publicado em 22/12/2008 - 08h26
Andrei Spinassé
Da Redação
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Equipe WA Mattheis comemora com Maurício
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A Stock fechou seu grid em 2008, o primeiro ano da regra que limitou os participantes em 34 e estipulou subida e descida de equipes de acordo com o desempenho. As três piores caíram para a Stock Light, e as duas melhores da Light subiram para a principal. Em 2009, o grid terá 32 carros.
O novo regulamento acabou com brigas por vaga e a polêmica estabelecida em 2007 sobre pilotos que tinham lugares de largada garantidos independentemente do que fizessem na sessão classificatória.
A categoria, para 2008, perdeu apoio da Volkswagen, mas Mitsubishi, Chevrolet e Peugeot continuaram, bem como suas bolhas. A fornecedora de pneus também mudou: saiu a Pirelli e entrou a Goodyear.
Depois de acusações de Renato Russo, piloto da Light envolvido no acidente fatal de Rafael Sperafico em 2007, ao jornal "O Estado de S.Paulo", a Stock introduziu exames antidoping, mas foram feitos em poucas etapas. Na primeira do ano, em São Paulo, Paulo Salustiano, da Light, foi pego, e a substância encontrada não foi revelada. O piloto perdeu o que havia feito em pista entre 13 de abril e 13 de maio.
Duas outras novidades mexeram com a Stock: a introdução da Corrida do Milhão, prova de maior duração no Rio de Janeiro com prêmio de US$ 1 milhão ao vencedor, e o novo sistema classificatório.
O treino oficial passou a ser dividido em três fases e, na última delas, os seis melhores faziam duelos. O primeiro colocado do Q2 corria contra o sexto, o segundo pegava o quinto e o terceiro e o quarto enfrentavam-se. O mais rápido em duas voltas dos três vencedores dos confrontos assegurava a pole.
Além disso, houve a volta do reabastecimento obrigatório. Foi justamente isso que mudou a primeira corrida da temporada, em Interlagos. Marcos Gomes, da Medley/A.Mattheis, retardou sua parada, saiu dos boxes lado a lado com Thiago Camilo, da Texaco Vogel, e levou a melhor. A prova contou com acidentes, o mais forte deles entre Thiago Marques e Ricardo Zonta na saída da Descida do Lago, e intervenções do safety Car.
Naquele 13 de abril, Ingo Hoffmann, 12 vezes campeão da Stock e pole position da abertura do campeonato, anunciou à TV Globo no grid que sairia da Stock ao fim da temporada. O veterano emocionou-se, mas sua participação na corrida durou pouco: ficou lento pela pista na primeira volta por causa de uma quebra de diferencial e recolheu seu carro.
Ouça entrevista coletiva pós-corrida: Entrevista coletiva 1ª corrida
Ricardo Maurício, quarto colocado em Interlagos, triunfou pela primeira vez em 2008 na segunda etapa, no anel externo de Brasília. O piloto da WA Mattheis dominou o fim de semana e venceu com autoridade. Gomes igualmente apareceu bem: de 13º do grid para segundo lugar na bandeirada final.
Ouça entrevista de Maurício sobre a corrida: Entrevista Maurício
Foi uma etapa de polêmicas. Cacá Bueno abandonou a prova nos boxes e, quando saiu do carro, foi xingado por pessoas que estavam em um camarote em cima de sua garagem. Cacá mostrou o dedo médio a elas, e as câmeras de TV mostraram o fato. Outro lance que gerou repercussão foi a punição de 20 segundos aplicada a Allam Khodair, Antonio Jorge Neto, Luciano Burti e Thiago Marques por terem queimado a linha branca do pit lane.
Ouça entrevista de Cacá sobre incidente: Entrevista Cacá
Duas semanas depois, em Curitiba, Maurício levou outro troféu de primeiro lugar. As equipes de Mattheis colocaram três pilotos nas três primeiras posições. Gomes, o segundo, chegou a ser líder, mas saiu brevemente do traçado, para sorte de Maurício. Valdeno Brito ficou atrás deles, em terceiro lugar. Foi o suficiente para Gomes manter a ponta do campeonato, embora tenha ficado somente um ponto à frente de Maurício.
Ouça entrevista de Maurício sobre vitória em Curitiba: Entrevista Maurício
Ouça entrevista de Gomes sobre escapada: Entrevista Gomes
Cacá Bueno quebrou a hegemonia dos times de Mattheis em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, em 21 de junho, um sábado. O bicampeão teve Brito como principal adversário, mas o paraibano, ousando na estratégia, perdeu tempo com o retardatário Ricardo Sperafico e não conseguiu sair dos boxes à frente de Cacá. O acidente mais forte foi de Átila Abreu, que capotou e nada sofreu. O pole Duda Pamplona foi discreto e concluiu a quinta etapa em sétimo lugar. Sexto colocado, Ricardo Maurício assumiu a liderança do campeonato, dada a 20ª posição de Gomes.
Ouça entrevista de Cacá sobre conquista: Entrevista Cacá
Em Campo Grande, Maurício recolocou a WA Mattheis no topo do pódio. Foi uma corrida praticamente sem dores de cabeça para o pole. Sua principal ameaça, Camilo, Texaco Vogel, foi se defender dos ataques de Popó Bueno e escapou na primeira curva, logo após a largada. Gomes veio logo atrás de Maurício, em segundo lugar, seguido por Átila, que tirou a terceira posição de Pedro Gomes na última curva. Maurício abriu 14 pontos em relação a Gomes após a conquista da quinta etapa.
Gomes, entretanto, recuperou-se na segunda passagem por Interlagos, circuito em que venceu pela terceira vez seguida, incluindo vitória na última etapa de 2007. O piloto da Medley/A.Mattheis exerceu domínio em 2 de agosto e não foi ameaçado por seus adversários. Camilo, segundo, ficou preso atrás de Pedro Gomes após a largada e só recuperou a posição depois dos pit stops. Cacá finalizou a disputa em terceiro, em boa prova de recuperação, ultrapassando Maurício, o quarto, na última volta. O líder do campeonato estava somente três pontos à frente de Gomes.
A Corrida do Milhão foi realizada em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, em 31 de agosto. Brito, terceiro colocado no grid, atrás de Cacá, o pole, já não esperava mais vencer, porque o bicampeão vinha bem na liderança. Mas tudo conspirou contra o piloto da Eurofarma RC e a favor do da Medley/A.Mattheis. Cacá ficou lento pela pista com um problema momentâneo e a ponta foi herdada pelo paraibano, que ganhou pela primeira vez na categoria e US$ 1 milhão em uma corrida que teve troca de pneus e 47 voltas. Burti e Gomes completaram os três primeiros colocados, e este reassumiu a liderança da tabela de pontos, pois Maurício foi o 20º.
A prova que decidiu os últimos classificados para os playoffs ocorreu em Londrina, no Paraná, em 13 de setembro. Thiago Camilo tornou-se o segundo piloto a quebrar a hegemonia das equipes de Mattheis na corrida menos movimentada do ano. Giuliano Losacco, segundo colocado, garantiu-se na disputa pelo título. Maurício, quarto colocado, viu Gomes em sexto, atrás de Ingo.
Em 18 de setembro, a Confederação Brasileira de Automobilismo divulgou o resultado do julgamento que poderia mudar os classificados para os playoffs, pois Allam Khodair, Luciano Burti e Antonio Jorge Neto recorreram da punição aplicada em Brasília. A CBA manteve o resultado com os acréscimos de 20 segundos, o que garantiu Popó Bueno na disputa pela taça. Os outros classificados foram Marcos Gomes, Ricardo Maurício, Thiago Camilo, Cacá Bueno, Valdeno Brito, Átila Abreu, Giuliano Losacco, Allam Khodair e Alceu Feldmann.
A primeira corrida dos playoffs ocorreu na segunda passagem da Stock por Curitiba, em 21 de setembro, e Maurício, o vitorioso, levou a melhor sobre Gomes, segundo colocado. Ambos empataram em pontos _a redistribuição para o início da segunda fase do campeonato já tinha feita_, mas Maurício tinha vitórias a mais.
As quatro primeiras posições do grid repetiram-se na nona etapa _Maurício, Gomes, Camilo e Losacco. Cacá Bueno foi vítima de problema de transmissão, perdeu o controle do carro e foi obrigado a sair da disputa. Alceu Feldmann, Allam Khodair, Rodrigo Sperafico e Daniel Serra foram desclassificados _os três primeiros por garrafa de combustível ter mais que o 1,5 litro de sobra permitido.
Ouça entrevista de Maurício a respeito de Curitiba: Entrevista Maurício
A Stock somente voltou a realizar corrida em 9 de novembro, em Brasília, após o fim da temporada da F-1. E Maurício retornou às pistas com força total. Gomes deixou suas cartas na mesa para superar o rival: optou por atrasar sua parada, ao contrário do adversário, o que não funcionou. Teve de brigar, então, com Duda Pamplona, Ricardo Sperafico, Ingo Hoffmann, Ricardo Zonta e Popó Bueno para ser o segundo colocado. Ingo bem que tentou, mas não conseguiu superar Pamplona pela terceira posição.
Ouça entrevista de Maurício sobre vitória em Brasília: Entrevista Maurício
Ouça entrevista de Gomes sobre segunda posição: Entrevista Gomes
Ouça entrevista de Pamplona, terceiro colocado: Entrevista Duda
Maurício chegou a Tarumã, duas semanas depois de Brasília, cinco pontos à frente de Gomes e, se abrisse mais 20, garantiria o título, pois já tinha cinco vitórias, contra duas do rival. O asfalto abrasivo do autódromo gaúcho fez com que as táticas ficassem mais embaralhadas que de costume. Havia opção de reabastecer e trocar pneus ou somente reabastecer. Saiu-se melhor quem colocou compostos novos. Foi o caso de Cacá, o vencedor, e Gomes, o segundo. Enquanto isso, Maurício, terceiro, e Camilo, quarto, não fizeram o mesmo e perderam muito rendimento na segunda metade da prova.
O principal momento da corrida foi a disputa entre os candidatos ao título, consideravelmente longa. Para ultrapassar Maurício, Gomes dividiu lado a lado muitas curvas com ele. A ultrapassagem foi quase inevitável, pois os pneus de Maurício não agüentavam mais.
Ouça entrevista de Cacá Bueno após Tarumã: Entrevista Cacá
Somente um ponto separava os dois antes da última etapa, em Interlagos, em 7 de dezembro. A disputa entre ambos foi decidida no sábado: o motor de Gomes quebrou, e ele teve de largar em 32º e penúltimo, enquanto Maurício, líder do campeonato, não conseguiu passar da 21ª colocação no treino oficial.
Na corrida, ambos envolveram-se em toques com outros pilotos, mas Gomes, quando Maurício já estava em seu campo de visão, ficou encaixotado, o que gerou uma quebra de caixa de câmbio de seu carro. Com o abandono de Gomes, Maurício garantiu o título, mesmo com uma 15ª posição que lhe deu mais um ponto.
Ouça entrevista de Maurício a respeito da corrida final: Entrevista Maurício
Ouça entrevista de Gomes após abandono: Entrevista Gomes
Camilo foi o vitorioso da última corrida de 2008. O primeiro colocado seria Cacá Bueno, mas o bicampeão foi punido por ter ultrapassado o limite de velocidade nos boxes.
Um dos acidentes mais impactantes do ano ocorreu justamente nessa última etapa. Norberto Gresse e Felipe Maluhy encontraram-se pelo caminho na Reta dos Boxes e bateram no muro de proteção. O carro de Gresse pegou fogo, mas o piloto conseguiu sair a tempo.
Ouça entrevista de Camilo sobre vitória: Entrevista Camilo
Ouça entrevista de Ricardo Sperafico, segundo colocado: Entrevista Ricardo
Ingo Hoffmann, sétimo no grid, fez uma largada espetacular e fechou sua longa participação na categoria com uma terceira colocação, que lhe deu um pódio, seu único no ano.
Ouça entrevista final de Ingo: Entrevista Ingo
A temporada 2009 da Stock Car começará no mesmo circuito de Interlagos, em 29 de março, e terá 32 carros novos, mais seguros.
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| 29.mar | São Paulo |
| 12.abr | Curitiba |
| 3.mai | Brasília |
| 17.mai | Sta. C. do Sul |
| 5.jul | São Paulo |
| 9.ago | Salvador |
| 20.set | Rio de Janeiro |
| 4.out | Campo Grande |
| 25.out | Curitiba |
| 8.nov | Brasília |
| 22.nov | Tarumã |
| 6.dez | São Paulo |
PILOTOS
1º - M. Wilson (BRA)
2º - V. Brito (BRA)
3º - C. Bueno (BRA)
4º - A. Pizzonia (BRA)
5º - A. Abreu (BRA)
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2º - V. Brito (BRA)
3º - C. Bueno (BRA)
4º - A. Pizzonia (BRA)
5º - A. Abreu (BRA)
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