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Crônicas Caboclas, 8 - Papelada e papelão

Regulamentos esportivos são considerados às vezes "simples pedaços de papel"

Publicado em 26/06/2008 - 22h05 Carlos Lua Cintra Mauro
Direto de Mossoró, RN


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Um papel que sempre vale o escrito, independentemente da cotação que tem. ampliar foto

Um papel que sempre vale o escrito, independentemente...

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Desde que foi inventado na China há mais de 1800 anos (as primeiras referências são do ano de 105 da era cristã) o papel não pode mais ser questionado e desafiado como talvez a maior das contribuições para o desenvolvimento da humanidade.

Com a invenção da imprensa, então, em 1455 (foi quando Gutenberg imprimiu as primeiras 200 bíblias usando o método que, com alterações mínimas, é usado até hoje) a necessidade do papel aumentou tremendamente. Pouco depois a introdução do papel-moeda aumentou ainda mais a sua (dele, papel) demanda que continua crescendo quanto mais cresce a nossa sociedade global.

Só para vocês terem uma idéia, no início do século passado cada habitante da Terra consumia um total de 5 kg de papel por ano. Hoje, no início deste século, já somos responsáveis, cada um de nós, por 1.000 kg anuais de papel.

Dos de embrulho ao moeda, passando pelo higiênico, pelo papelão das embalagens, pelo guardanapo, pelos enfeites de festa, pelos cartões de Natal e Boas Festas, pelos embrulhos dos presentes, pelas notas fiscais, pelas certidões de nascimento, pelos contratos (até mesmo o casamento é um) por todas as resmas de sulfite que usamos nos computadores e copiadoras, por todos os especiais usados na impressão dos livros de arte, dos talões de cheque, dos jornais e das revistas que povoam nossas vidas sempre mais intensamente.

E lá continua o velho e bom papel feito ainda pelo mesmo processo de sempre e que ainda vai continuar dominando o mundo por muito tempo, mesmo com o crescimento do e-mail, da internet, do CAD e mesmo depois de confirmados e lançados os que estão sendo chamados de "papéis eletrônicos".


Vale o escrito
Dois outros usos do papel são: jogo do bicho e regulamentos esportivos.

No primeiro caso, apesar de considerado contravenção (171) continua existindo por representar um componente social ainda não bem substituído por outros oficiais e porque tem a garantia e a segurança do "vale o escrito". Isso quer dizer que se você apostou e tá lá escrito, a sua aposta vai ser honrada.

Já regulamentos esportivos, bem como outros tipos e modelos de contratos são considerados por muitos como "simples pedaços de papel que não valem nada."

Como exemplo de como ele pode ser tão desrespeitado e desonrado em poucas palavras reproduzidas em papel (será que o papel, sim, é que é o lobo do papel?) coloco aqui apenas duas pérolas da história mais recentes: "The Constitution is just a piece of paper", de G.W. Bush (A Constituição é apenas um pedaço de papel) e "Les bulletins de vote ne sont que des chiffons de papier", de Jean-Marie Le Pen (as cédulas de voto não passam de pedaços de papel).

Bem, voltando ao papel (figurado) que tem o jornalista de investigar e reportar, ficou bem estranha o ocorrido, hoje, durante a nona e penúltima etapa da 16ª edição do Rali dos Sertões.

Para os amigos tudo, para os inimigos a lei
Um dos VW Touareg (o #303 da dupla Miller/Pitchford) quebrou no trecho do deslocamento (134 km) para a largada da especial número nove desta quinta-feira. Em condições normais, a demora para o conserto do seu turbo (motivo comunicado da quebra) teria eliminado o concorrente pois ele chegaria fora de sua hora determinada para largada.

Um inexplicável, até agora, pedido para que a largada fosse adiada em 30 minutos, feito pelo diretor de prova o português Jaime Santos, causou um enorme mal estar entre os concorrentes e indignação entre os representantes da CBA. O que é que vale? O que está escrito ou o que pode beneficiar? Quem pode determinar se papelada não é apenas um sucedâneo para papelão?

Belo resultado no papel
Independentemente do ocorrido o Rali dos Sertões mostrou que é maior (e pode ser mais ainda já que até serve para levantar questões como essas) do que fatos isolados. Mostrou na teoria e na prática que tem maturidade e espaço para seguir no seu papel de evento brasileiro na sua essência, internacional no seu apelo e ímpar no seu desafio.


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