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Crônicas Caboclas, 7 - Aceitam-se tíquetes

Desde que foi inventado, automóvel é sinônimo de liberdade de ir e vir

Publicado em 26/06/2008 - 08h27 Carlos Lua Cintra Mauro
Direto de Crateús, CE


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Vale de tudo para exercer o "ir e vir" ampliar foto

Vale de tudo para exercer o "ir e vir"

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Esse povo é mesmo do contra. Se não é do contra, então é indeciso, mal agradecido ou sofre de bicho carpinteiro. Ninguém está contente do jeito que está? É..., parece que não, mesmo.

Vivem indo de um lado para o outro, sem parar, usando tudo o que é meio de transporte.

Espere um pouco, já sei, é o seguinte: está todo mundo feliz e exercendo o seu direito maior, o de ter independência para ir e vir. Ou vir e ir, conforme o local onde se encontrem, não é verdade?


Esse tal de automóvel e seus derivados
Desde o dia em que foi inventado e colocado à disposição, o impulso mais forte que os automóveis (e seus derivados, afins, parentes e contraparentes) tiveram foi quando a pressão da liberdade que eles representam, provou ser maior do que o medo que as primeiras carruagens motorizadas causavam.

O automóvel, depois de séculos de contenção dos humanos, garantia a independência, o prazer no ir e vir e era a certeza de que o campo podia chegar à cidade e vice-versa, sem maiores crises, problemas ou transtornos.

Uma equação simples de ser resolvida que forçou a produção de carros em série, abaixando o seu custo e aumentando a sua utilidade.


Farra não!
Mas essa "farra do pra lá e pra cá" ainda tinha um componente estrangulador: as estradas. Precárias e em número reduzido avançavam bem mais lentamente do que os horizontes irresistivelmente mais amplos da vontade humana.

De uma hora para outra a percepção dessa escassez fez com que se abrissem os olhos para a necessidade dessas estradas. Não apenas para a circulação de lazer das pessoas, mas também para aquela movimentação estratégica de produtos, serviços e, infelizmente, de sonhos expansionistas.

Ainda assim as estradas não se deram por satisfeitas e passaram a ser solução, durante os períodos de recessão, como fonte de absorção de mão de obra em quantidade.


Qual a oferta da malha?
A malha rodoviária foi assim se espalhando, multiplicando e sofisticando para acompanhar a evolução. Hoje em dia as auto-estradas representam ainda mais, são um enorme Shopping Center de produtos e serviços espalhado pelos quatro cantos do país.

Cresce constantemente a sua participação nos mercados de consumo como que confirmando sua própria existência. Passam então a ser, além de símbolo da garantia de mobilidade, um grande negócio.

Porque é que então deixam tantas estradas precárias por aí? Por falta de dinheiro, por falta de vontade política ou por pura incompetência? Não importa discutir isso aqui e agora já que o importante é: onde tem automóvel tem sempre uma oportunidade.


Estrada ruim, rali bom
Simples, não é verdade? É a receita (junto com muita organização, dedicação, envolvimento da comunidade, o segredo de combinar tudo isso de forma correta e assim por diante) do Rali dos Sertões já na sua 16ª edição.

De um lado garante a liberdade, faz uma ode à mobilidade e aproveita estradas precárias. Do outro lado garante emoção, disputa e desenvolvimento. Parabéns, Rali, e não percam o andamento do domínio VW Touareg e da luta brasileira para ver quem é o melhor entre os que usam automóveis ainda ao alcance das nossas liberdades.

Agora tenho que ir, mas logo eu volto. É que já comprei o tíquete.


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