Fórmula 1
Barrichello: “Não sou menino, mereço respeito”
Veterano reclama de falta de comunicação com a Williams e vê futuro como “obscuro”
Rubens Barrichello, da Williams, em Buddh (EFE/Diego Azubel)
Após terminar as duas sessões de treinos livres em Buddh na 15ª colocação, Rubens Barrichello desabafou nesta sexta-feira em relação ao seu futuro e deixou implícito a falta de comunicação com a Williams na hora de negociar a renovação de contrato para 2012.
Embora a situação não atrapalhe seu rendimento na pista, o veterano de 39 anos acredita que a situação seja negativa para a equipe e aos olhos da imprensa, já que, na opinião do brasileiro, parece sempre que “esconde alguma coisa” do público.
“O meu futuro anda obscuro. É um momento difícil, um momento em que as pessoas não estão se comunicando muito. Há muitas coisas acontecendo por trás das portas e o que falei a eles [da Williams] é que não sou menino, mereço respeito porque estou aqui há 19 anos”, explicou Barrichello.
“E quero saber o que está acontecendo, porque afinal de contas, quero anunciar [ao público] o que farei no ano que vem. Isto não me perturba agora no momento, mas é negativo para a equipe e para aqueles que me perguntam, porque parece que sempre estou escondendo alguma coisa. Então prefiro estar a par da realidade para defender minha visão e poder comunicar. Agora é mais um desabafo, porque não tenho nada a mais falar sobre meu futuro”, disse o brasileiro, que em seguida sublinhou sua tenacidade em seguir na F1.
“A minha fé é imbatível. Aquela coisa de força de vontade. É nisso que me baseio”, acrescentou.
Após bater Maldonado por 17 centésimos no segundo treino livre, Barrichello apontou a sujeira como a grande vilã para o desempenho dos carros. Na opinião do veterano, a poeira no recém-construído asfalto em Buddh deve contribuir para a instabilidade dos carros, o que dificultará ultrapassagens mais agressivas.
“A beleza da pista fica um pouco perdida nesta situação. Hoje, quando deixei passar vários carros ao sair dos boxes, demorei três voltas para limpar meu pneu, então em uma ultrapassagem, é difícil você ser capaz de passar um e perder mais três. Pode ser que isso dê uma inibida naquelas ultrapassagens agressivas”, explicou o piloto.
“Ultrapassagem com o DRS [asa móvel] vai existir, porque a reta é muito longa, mas aquelas ultrapassagens de travar roda, isso vai ficar para o próximo ano, provavelmente”, acrescentou.
Apesar disso, Barrichello elogiou a pista, em especial a curva três.
“A pista é bem legal. Não acho que vamos conseguir deixá-la limpa da maneira que ela poderia estar. Isso causa algumas batidas, saídas de pista, rodadas, porque, afinal de contas, o limite dos carros está aumentando. Há algumas situações em que as elevações fazem com que você não veja o final da curva e é por isso que algumas horas tem gente saindo da pista”, disse o veterano.
“A curva três é tão cega que acredito que ninguém tenha conseguido fazer 10% das voltas iguais. Não dá para realmente você saber onde você está virando, porque o ponto é muito cego, você não tem uma referência básica. O mais importante daquela curva é não carregar a velocidade para dentro e, sim, sair dela muito forte. É uma curva em que você não perde muito tempo saindo das linhas, mas é emocionante”, concluiu o brasileiro, que espera ficar na casa dos 1min27s na classificação, neste sábado.
“A pista está melhorando muito. O simulador [da casa de Rubens] está mais perto do real que a gente achava, cheguei a virar 1min27s0 e o que é provavelmente a gente vai está virando em classificação”, disse.
