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Gil, sobre equipe na Indy: "Não vai ser fácil"; ouça
Na pele de "dirigente", brasileiro fala sobre projeto e faz elogio a Massa
Publicado em 28/10/2009 - 00h18
Bruno Vicaria
De São Paulo
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Gil de Ferran
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>>Gil: "Rubens contribuiu para maturidade de Jenson"
A bordo da De Ferran Motorsports, o hoje dono de equipe de 42 anos resolveu dar uma "sobrevida" na carreira de piloto para construir o novo sonho: "Voltei com o propósito de montar minha equipe." O projeto mostrou resultados logo de cara e, mesmo não tendo rendido um título, gerou muitas corridas e deu base para o próximo passo: ingressar na Indy. "Coloquei um alvo muito alto, em condições econômicas muito difíceis. Não vai ser fácil atingir todo esse objetivo".
Nesta entrevista exclusiva com o Tazio, Gil conta como está trabalhando para viabilizar o projeto "Indy 2010", inclusive analisando pilotos: "Em um mundo ideal, gostaria de um piloto muito experiente, muito competitivo; um Rubens Barrichello, um Scott Dixon, um Dario Franchitti, um Helio, um Tony". E até Bia Figueiredo entra na roda: "Ela está num ponto de maturidade e experiência que, realmente, o próximo passo é a Indy."
De quebra também rolou até um elogio à maturidade de Felipe Massa _"É um cara fantástico neste sentido e só evolui. Todo ano fica melhor"_ e a revelação de outro sonho: levar o time da ALMS para correr as míticas 24 Horas de Le Mans.
Leia (e ouça, no player abaixo do texto), esses e outros tópicos do bate papo:
Abandono das pistas: "Quero outros desafios, quero andar para a frente"
"O problema emocional que todo esportista ter de mudar os rumos da carreira passei mais em 2003 que agora. Essa minha volta às pistas foi diferente na minha cabeça, pois não estava procurando emprego de piloto. Voltei com o propósito de montar minha equipe."
"Fiz o mesmo papel do passado, de piloto de desenvolvimento com a Honda no ano passado, contribui com a Acura e com o nascimento de minha equipe. Esse foi o propósito de minha volta e, depois de um ano e meio, a equipe se desenvolveu o suficiente e quero me dedicar a este negócio, que vai ser meu futuro."
"Nunca posso dizer que nunca, mas o sentimento que tive em 2003 continua existindo. Parei porque preciso fazer outras coisas que me interessam. Quero outros desafios, quero andar para a frente."
Criação da equipe na Indy: "Não vai ser fácil atingir todo esse objetivo"
"Coloquei um alvo muito alto, em condições econômicas muito difíceis. Não vai ser fácil atingir todo esse objetivo. Diria que minha experiência na F-1 foi essencial para fazer o que estou fazendo agora. Tenho certeza que os quase três anos me prepararam muito bem para fazer o que estou fazendo. Aprendi coisas administrativas. Uma equipe de F-1 é uma coisa muito complexa, pois você precisa fabricar, desenvolver e correr com o carro. Alguns procedimentos, o que vi e pude apreciar por dentro... O que é bom a gente copia."
O sonho de ter uma equipe: "Foi um negócio que deu muito certo"
"Desde que parei de correr, já tinha como sonho tentar montar uma equipe, mas o negócio de equipe é muito difícil, que, para dar certo, é complicado. São muitas coisas para irem bem. De 2004 até 2008 apareceram várias oportunidades, mas nenhuma que julguei que valesse a pena até chegar essa, que era de voltar a trabalhar com a Honda e montar minha própria equipe. Essa era uma oportunidade única e foi por isso que agarrei ela. Foi um negócio que deu muito certo. Ganhamos a primeira corrida antes do primeiro aniversário, neste ano levamos 50% das provas e andamos bem logo de cara. Acho que, muitas vezes na vida, precisamos escolher com muita calma aquilo onde nos envolvemos."
Trabalho para o próximo ano: "Não é uma questão só de participar"
"A gente tem todo um plano técnico, que está todo tracado e precisa do famoso dinheiro. E precisa também do tempo. Nós estamos lutando contra os dois. Não é uma questão só de participar, mas precisa fazer as coisas direito. Você precisa não só de recursos, mas de tempo para fazer as coisas. Vamos entrar em uma categoria com equipes de alto nível e muito experientes. Por isso, precisamos fazer um investimento logo de cara. Uma coisa que aprendi com elas é que não dá para fazer trabalho pela metade. Ou vai com tudo ou tira o time de campo."
Patrocínio e layout do novo time: ""A gente está tentando formar uma marca"
"Estamos trabalhando em cima do patrocínio. Nada que possa declarar no momento, mas tem coisas boas acontecendo. Temos de usar uma criatividade grande, para criar valor. Vim aqui exatamente para isso. O Brasil vive um momento muito bom e a economia brasileira foi uma das menos afetadas pela crise mundial, e a gente está trabalhando em cima disso."
"A gente está tentando formar uma marca. Aos poucos, estamos montando a marca. Nos últimos dois anos, corremos com patrocínios diferentes, mas deu para notar uma semelhança "de família". Quem sabe a gente consegue continuar isso, mas depende de muitas coisas. A marca é a única coisa que podemos carregar conosco."
Dupla de pilotos para equipe: "Atitude é fundamental"
"Em um mundo ideal, gostaria de um piloto muito experiente, muito competitivo, um Rubens Barrichello, um Scott Dixon, um Dario Franchitti, um Helio, um Tony. Um cara que você sabe da qualidade, que é o que é. Esse cara não só pode vencer corridas e campeonatos, mas pode me ajudar no desenvolvimento do carro e, mais que isso, te ajuda a não se perder, mas a andar para a frente. Você precisa ver primeiro as personalidades: ele pode ter os quesitos técnicos e os humanos. Precisamos ver se ele se encaixa com a equipe e com o outro piloto. Equipes de automobilismo são como uma equipe _motivados e engajados com um propósito. Uma equipe precisa de todos os membros unidos, e os pilotos tem um papel de liderança. Por mais que alguns tentem abdicar este papel, eles o exercem. Precisa ver se existe essa afinidade de personalidade com a equipe. Já o segundo piloto, gostaria que fosse uma pessoa como o francês que corre comigo. Um cara jovem, inteligente, com boa personalidade e potencial muito grande. Hoje é um dos melhores pilotos de carro esporte."
"Seria experiência juventude, vontade e um pouco de talento. Atitude é fundamental. A performance nunca é uma coisa estática. Nunca achei que isso fosse uma coisa parada. Para você subir no nível de performance, uma das coisas mais importantes é sua cabeça. Esta é uma coisa que eu admiro muito no [Felipe] Massa. É um cara fantástico neste sentido e só evolui. Todo ano fica melhor. Teve o melhor professor mas estudou para aprender, e hoje é um dos melhores pilotos da atualidade."
Bia Figueiredo? "Ela me surpreendeu"
"A Bia me surpreendeu. A conheci alguns anos atrás e é uma das meninas que teve mais sucesso nas categorias menores. Acho que mais que a Danica. Ela está num ponto de maturidade e experiência que, realmente, o próximo passo é a Indy. Por enquanto, estou mais preocupado em levantar dinheiro e mais outra coisa."
Chance de a De Ferran Motorsports ter pilotos pagantes?
"No momento, estou tentando eu levar o patrocínio. É uma coisa que tenho de decidir mais pra frente. O ideal é angariar recursos para tomar esta decisão de maneira independente"
Incerteza sobre o futuro do time na ALMS
A Acura ainda não fez planos para o futuro, mas estou trabalhando para que a gente consiga continuar.
Correr nas 24 H de Le Mans: "Adoraria"
Eu adoraria ir pras 24h de Le Mans. Levar a equipe para lá seria uma coisa muito boa, mas está só no sonho. é uma coisa que a gente fez um pequeno estudo para entender custos e logísticas. É possível fazer esse negócio."
Ouça trechos da entrevista:
Entrevista Gil de Ferran
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| 19.set | Motegi |
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PILOTOS
1º - D. Franchitti (GBR)
2º - S. Dixon (NZL)
3º - R. Briscoe (AUS)
4º - H. Castro Neves (BRA)
5º - D. Patrick (EUA)
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2º - S. Dixon (NZL)
3º - R. Briscoe (AUS)
4º - H. Castro Neves (BRA)
5º - D. Patrick (EUA)
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