Fórmula Universitária e F-3 Light estréiam em 2009
Categorias fazem companhia para a F-3 sul-americana na próxima temporada
Publicado em 26/12/2008 - 18h43
Andrei Spinassé
Da Redação
Duas novas categorias farão campeonatos em território brasileiro em 2009: F-3 sul-americana Light e a Fórmula Universitária. Elas formarão a base da principal F-3 do continente e serão promovidas pela mesma empresa, a 63MKT.
A F-3 Light só será possível porque a divisão principal usará 22 novos chassis Dallara no próximo ano. A Light acompanhará sua "mãe" em todas as etapas de 2009, inclusive na Argentina e no Uruguai, enquanto a Fórmula-U ficará somente no Brasil e terá, ao menos, seis rodadas duplas.
Dilson Motta, responsável pelas categorias, contou exclusivamente ao Tazio que quase todas as vagas para equipes da divisão principal já estão preenchidas. A organização agora aguarda respostas de um time argentino e de outro uruguaio, os quais não ajudará com dinheiro.
"Temos feito todo o esforço possível para que eles confirmem presença, mas sabemos que o panorama econômico é muito difícil. Fica difícil para Argentina e Uruguai, pois eles não têm uma economia tão forte quanto a nossa. Se eles não confirmarem participação, estamos em conversa, há alguns candidatos [para essas vagas]. Mas não podemos oferecer subsídios", afirmou.
"Fazemos todo o esforço possível para estimular a participação de pilotos argentinos, uruguaios, venezuelanos, chilenos e de outros países da América do Sul."
O dirigente, desde este ano gestor da F-3, ficará satisfeito se a temporada da Light começar com 14, 15 ou 16 carros: "Se alcançarmos esse objetivo, será uma vitória, porque é mais um degrau que falta na formação de pilotos aqui no Brasil".
O grid da Light será formado por equipes da própria F-3, por novas empreitadas ou antigas, que, embora não tenham corrido em 2008, possuem um carro de F-3 usado até este ano. "A procura é até surpreendente", disse o empresário, que conversa com a Dallara sobre a possibilidade de importar algum carro extra se houver mais interessados na Light.
Segundo ele, um piloto precisará de R$ 350 mil se quiser correr em 2009 na Light, cujos motores terão um limitador e não serão tão potentes quanto os de hoje.
A Fórmula-U tem um conceito diferente do das outras duas. Dez universidades farão parte do campeonato, e cada uma terá dois carros. Os pilotos serão selecionados diretamente do kart e não poderão ter mais de 17 anos. Eles não podem ter participado de outros campeonatos de monopostos.
"Faremos uma categoria voltada para garotos do kart que ainda não pilotaram em nenhuma fórmula. Eles serão trabalhados, com acompanhamento de um técnico _um chefe de equipe ou ex-piloto. Nosso trabalho será começar a preparar uma nova geração de vencedores para a Light e conseqüentemente para a categoria principal", declarou Motta.
Desde o fim de 2006, quando acabou a F-Renault brasileira, não há campeonato totalmente nacional de monopostos. Existe, por exemplo, a F-São Paulo, mas ela só realiza provas em Interlagos.
Uma comissão ajudará na escolha dos pilotos para as universidades, e o processo seletivo será feito em Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro. As equipes receberão dois carros e dois pilotos.
A partir daí, começarão a trabalhar. Elas serão órgãos laboratoriais das universidades. Segundo Dilson, 14 cursos estarão envolvidos. Quem cursa engenharia mecânica, por exemplo, será engenheiro de carro; quem faz educação física dará atenção à preparação dos pilotos; um estudante de psicologia cuidará da parte psicológica dos competidores de sua escuderia. Além disso, os pilotos ganharão um curso de inglês com a intenção de que cheguem fluentes nesse idioma à Europa.
A organização do evento subsidiará pneus e combustível, por exemplo. "Nossa idéia é dar colaboração para o automobilismo nacional, especialmente o de fórmula, que ficou sem os degraus entre o kart e uma categoria veloz como a F-3 sul-americana", reitera Motta.
Todos os carros da F-Universitária serão iguais. Motta fez uma comparação: eles serão parecidos com os antigos F-Ford que corriam no Brasil. Terão pouca dependência aerodinâmica, um câmbio convencional, em 'H', e usarão etanol como combustível. Os promotores da categoria trabalham para que a carenagem seja de fibra vegetal. A intenção é que a Fórmula-U seja "ecologicamente correta".
"É uma etapa de aprendizado. A proposta é que o piloto saia do kart e vá para Fórmula Universitária. O campeão ganhará um desconto na Light, no ano seguinte", revelou o dirigente.
Uma montadora deverá apoiar a nova categoria: "Estamos em negociação adiantada, mas não podemos revelar ainda qual é ela".
A criação de duas categorias é algo inesperado neste momento de crise financeira mundial. Mas, para Motta, a solução é o trabalho: "Não acredito que a crise vá afetar tanto assim o esporte. Existem duas maneiras: ou você trabalha mais ou fica esperando a crise vir para cima de você, e acaba vindo. O que temos feito é trabalhar cada vez mais. É o único jeito de combater a crise".
Na opinião de Dilson, a saída da Honda da F-1 não teve somente a ver com o aspecto financeiro, mas também foi influenciada pelos maus resultados nas pistas. "A crise passou a servir de justificativa para tudo."
Ainda não se sabe se a F-3 acompanhará a GT3 em 2009, ou seja, se, como em 2008, farão parte de um mesmo evento. O certo é que o canal por assinatura Bandsports transmitirá ao vivo todas as corridas da categoria principal. Além disso, haverá cobertura em espanhol para a América Latina pelo SpeedChannel e a RaceTV, online, também fará transmissões.
Ouça entrevista com Dilson Motta ao Tazio:
Entrevista Motta
A F-3 Light só será possível porque a divisão principal usará 22 novos chassis Dallara no próximo ano. A Light acompanhará sua "mãe" em todas as etapas de 2009, inclusive na Argentina e no Uruguai, enquanto a Fórmula-U ficará somente no Brasil e terá, ao menos, seis rodadas duplas.
Dilson Motta, responsável pelas categorias, contou exclusivamente ao Tazio que quase todas as vagas para equipes da divisão principal já estão preenchidas. A organização agora aguarda respostas de um time argentino e de outro uruguaio, os quais não ajudará com dinheiro.
"Temos feito todo o esforço possível para que eles confirmem presença, mas sabemos que o panorama econômico é muito difícil. Fica difícil para Argentina e Uruguai, pois eles não têm uma economia tão forte quanto a nossa. Se eles não confirmarem participação, estamos em conversa, há alguns candidatos [para essas vagas]. Mas não podemos oferecer subsídios", afirmou.
"Fazemos todo o esforço possível para estimular a participação de pilotos argentinos, uruguaios, venezuelanos, chilenos e de outros países da América do Sul."
O dirigente, desde este ano gestor da F-3, ficará satisfeito se a temporada da Light começar com 14, 15 ou 16 carros: "Se alcançarmos esse objetivo, será uma vitória, porque é mais um degrau que falta na formação de pilotos aqui no Brasil".
O grid da Light será formado por equipes da própria F-3, por novas empreitadas ou antigas, que, embora não tenham corrido em 2008, possuem um carro de F-3 usado até este ano. "A procura é até surpreendente", disse o empresário, que conversa com a Dallara sobre a possibilidade de importar algum carro extra se houver mais interessados na Light.
Segundo ele, um piloto precisará de R$ 350 mil se quiser correr em 2009 na Light, cujos motores terão um limitador e não serão tão potentes quanto os de hoje.
A Fórmula-U tem um conceito diferente do das outras duas. Dez universidades farão parte do campeonato, e cada uma terá dois carros. Os pilotos serão selecionados diretamente do kart e não poderão ter mais de 17 anos. Eles não podem ter participado de outros campeonatos de monopostos.
"Faremos uma categoria voltada para garotos do kart que ainda não pilotaram em nenhuma fórmula. Eles serão trabalhados, com acompanhamento de um técnico _um chefe de equipe ou ex-piloto. Nosso trabalho será começar a preparar uma nova geração de vencedores para a Light e conseqüentemente para a categoria principal", declarou Motta.
Desde o fim de 2006, quando acabou a F-Renault brasileira, não há campeonato totalmente nacional de monopostos. Existe, por exemplo, a F-São Paulo, mas ela só realiza provas em Interlagos.
Uma comissão ajudará na escolha dos pilotos para as universidades, e o processo seletivo será feito em Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro. As equipes receberão dois carros e dois pilotos.
A partir daí, começarão a trabalhar. Elas serão órgãos laboratoriais das universidades. Segundo Dilson, 14 cursos estarão envolvidos. Quem cursa engenharia mecânica, por exemplo, será engenheiro de carro; quem faz educação física dará atenção à preparação dos pilotos; um estudante de psicologia cuidará da parte psicológica dos competidores de sua escuderia. Além disso, os pilotos ganharão um curso de inglês com a intenção de que cheguem fluentes nesse idioma à Europa.
A organização do evento subsidiará pneus e combustível, por exemplo. "Nossa idéia é dar colaboração para o automobilismo nacional, especialmente o de fórmula, que ficou sem os degraus entre o kart e uma categoria veloz como a F-3 sul-americana", reitera Motta.
Todos os carros da F-Universitária serão iguais. Motta fez uma comparação: eles serão parecidos com os antigos F-Ford que corriam no Brasil. Terão pouca dependência aerodinâmica, um câmbio convencional, em 'H', e usarão etanol como combustível. Os promotores da categoria trabalham para que a carenagem seja de fibra vegetal. A intenção é que a Fórmula-U seja "ecologicamente correta".
"É uma etapa de aprendizado. A proposta é que o piloto saia do kart e vá para Fórmula Universitária. O campeão ganhará um desconto na Light, no ano seguinte", revelou o dirigente.
Uma montadora deverá apoiar a nova categoria: "Estamos em negociação adiantada, mas não podemos revelar ainda qual é ela".
A criação de duas categorias é algo inesperado neste momento de crise financeira mundial. Mas, para Motta, a solução é o trabalho: "Não acredito que a crise vá afetar tanto assim o esporte. Existem duas maneiras: ou você trabalha mais ou fica esperando a crise vir para cima de você, e acaba vindo. O que temos feito é trabalhar cada vez mais. É o único jeito de combater a crise".
Na opinião de Dilson, a saída da Honda da F-1 não teve somente a ver com o aspecto financeiro, mas também foi influenciada pelos maus resultados nas pistas. "A crise passou a servir de justificativa para tudo."
Ainda não se sabe se a F-3 acompanhará a GT3 em 2009, ou seja, se, como em 2008, farão parte de um mesmo evento. O certo é que o canal por assinatura Bandsports transmitirá ao vivo todas as corridas da categoria principal. Além disso, haverá cobertura em espanhol para a América Latina pelo SpeedChannel e a RaceTV, online, também fará transmissões.
Ouça entrevista com Dilson Motta ao Tazio:
Entrevista Motta
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