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Wolff afirma que Barrichello é um de seus heróis

Novo sócio da Williams acredita que categoria está em "estado de mudança"

Publicado em 24/11/2009 - 12h06 Luis Fernando Ramos
De Viena


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Rubens Barrichello, da Brawn ampliar foto

Rubens Barrichello, da Brawn

Aos 37 anos de idade, o austríaco Christian "Toto" Wolff já atua com desenvoltura no mundo dos negócios. E, sempre que possível, une o trabalho com sua outra paixão, o automobilismo. O novo sócio da equipe Williams conta nessa entrevista exclusiva ao Tazio a sua visão sobre a F-1 como plataforma de negócios. O ex-piloto também revela que Rubens Barrichello é um de seus grandes ídolos no automobilismo: "Quando comecei, ele era um herói para mim". Confira!

Como surgiu a idéia de comprar uma parte da Williams?
Já estou envolvido no automobilismo há algum tempo. Sou um dos donos da HWA, a empresa que faz o trabalho da Mercedes na DTM, além de outras atividades (n.R.: Wolff também tem sociedade com Mika Hakkinen em uma empresa que gerencia carreira de pilotos). Há cerca de seis meses ocorreu um encontro casual com Adam Parr, o CEO da Williams. Falamos sobre vários assuntos, surgiu a idéia de assumir uma parte da equipe, as conversas ficaram mais sérias e chegamos a um acordo agora.

O que torna esse momento interessante?
A F-1 está num ponto de mudança. As grandes montadoras com orçamentos ilimitados, como a Toyota, saíram. O acordo de restrição de orçamento, junto com as receitas maiores da FOM, faz com que as equipes possam virar empresas que atuem com custos neutralizados ou mesmo que operem no lucro. Como um homem de negócios, faz sentido entrar agora nesse tipo de parceria. A F-1 é o principal evento esportivo do mundo do ponto de vista comercial. E a perspectiva das equipes passarem a dar lucro cria a condição ideal para que eu possa investir na categoria.

Mas vale a pena investir na F-1, mesmo com a guerra política que a categoria viveu em 2009?
Minha opinião é que a luta política surgiu porque montadoras como Toyota e BMW quiseram colocar seu ponto de vista sobre a redução no orçamento. Mas essas montadoras saíram da categoria e as que ficaram reconheceram que o momento agora exige mais cuidado com os gastos. A própria Mercedes-Benz admitiu com clareza depois da compra da Brawn que o objetivo é este mesmo. Vejo com otimismo esta volta ao espírito de competição do passado, com equipes independentes com tradição no esporte e com montadoras conscientes que não se pode queimar dinheiro indefinidamente.

E porque a Williams?
Fora da Williams, não há equipe com uma história igual, apenas Ferrari e McLaren. Eu não teria interesse em nenhuma das equipes novas. Também não quero lidar com a problemática diária de uma equipe e a Williams está muito bem servida nisso. Além da experiência de Frank e de Patrick Head, há a juventude de Adam Parr e de Sam Michael, todos com o mesmo espírito de trabalho.

Então você não tem o compromisso de ir às corridas.
Exatamente. Eu sou membro do conselho da equipe e há reuniões mensais na sede em Grove onde vou fazer o meu trabalho, nos pontos onde faz sentido atuar. Não vou me misturar ao trabalho diário da equipe e só vou às corridas onde achar que há possibilidades de fazer bons negócios do ponto de vista comercial.

O futuro de uma equipe passa inevitavelmente por seus pilotos. O que você acha da dupla da Williams para 2009?
Eu acho que foi uma boa decisão. E corajosa. Uma equipe tem duas opções: pegar um monte de dinheiro e comprar uma dupla como Alonso e alguém do mesmo nível. Ou tentar uma outra saída. E foi o que a Williams fez. Eu sou um grande fã de Rubens Barrichello. Quando comecei a correr de Fórmula Ford, me lembro de vê-lo correndo em Zeltweg de Fórmula Opel. Ele era um herói para mim. Neste ano, o Barrichello mostrou na Brawn que é capaz de brigar pelo título e foi mais rápido que Jenson em algumas corridas, uma prova de que não perdeu sua velocidade e sua motivação. Ele também nasceu no mesmo ano que eu, 1972, o que parece ser uma boa safra (risos)! Acho que a combinação dele com um jovem piloto como Hülkenberg, que além de rápido é inteligente, pode ser muito bem-sucedida e causar muitas surpresas.

Você os conhece pessoalmente?
Ainda não. Já vi o Nico Hülkenberg, pois sou muito próximo de Frederic Vasseur, o dono da ART. Mas não falei com ele e ainda não conheci Rubens Barrichello.

Além de ser um investidor, você também é um piloto. Deu para deixar a emoção de lado na hora de se associar a uma equipe de F-1?
Eu tentei em toda a negociação deixar a emoção de lado, porque isso no mundo dos negócios sempre dá errado. Nós discutimos por mais de seis meses e isso jamais veio a público, o que não é normal na Fórmula 1, um meio onde muito gente gosta de aparecer. Eu também tenho uma equipe que, junto comigo, analisou a transação do ponto de vista comercial e jurídico, dando uma visão relativa em todos os momentos.

E você pretende continuar correndo de GT ou em ralis?
Não, não vou competir mais. Eu me machuquei nesse ano. Foi uma "idéia imbecil" como o Niki Lauda me disse, palavra por palavra. Eu quis bater o recorde do Nordschleife em Nürburgring. Acabei conseguindo, mas na volta seguinte um pneu estourou. Eu estava a mais de 260 km/h e fui parar numa clínica em Frankfurt. Depois ainda fiz alguns ralis, mas a coisa não funcionou muito bem. Não serei mais competitivo e, agora que eu fechei esse negócio com a Williams, decidi que só vou correr por prazer. Talvez uma volta com um carro de DTM quando der aquela coceirinha, mas vou proibir que haja um cronômetro por perto.

Mas você não tem vontade de dar umas voltas com um F-1 da Williams?
Vontade eu tenho, mas eu sou realista! Não quero destruir completamente esse meu sonho de criança pegando um carro só para ficar me arrastando pela pista... (risos)


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