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Projeto ambicioso da Toyota teve início em 2001

Dona do maior orçamento da F-1, equipe transformou sonho em pesadelo

Publicado em 04/11/2009 - 14h19 Hugo Becker
Da Redação


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Kamui Kobayashi, da Toyota ampliar foto

Kamui Kobayashi, da Toyota

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O anúncio da saída da equipe Toyota da F-1, nesta quarta-feira, colocou fim a um ciclo de oito temporadas e 140 corridas.

A história do projeto do time japonês na categoria começou, na verdade, em 2001, quando um protótipo foi construído e levado diversas vezes à pista pelas mãos de Mika Salo, um dos responsáveis por desenvolver o primeiro carro da escuderia.

Jamais, na história da F-1, uma equipe havia preparado um projeto tão ambicioso, testando um carro praticamente um ano antes de sua estreia na categoria. Com o maior orçamento entre todos os times e com a conhecida organização dos japoneses, a Toyota vislumbrava sucesso a curto prazo.

A primeira dupla de pilotos da escuderia nipônica foi formada por dois veteranos: Mika Salo e Allan McNish. Salo tinha uma carreira confusa, sendo na maior parte do tempo uma espécie de "piloto substituto" de equipes como Ferrari e BAR, apesar de suas temporadas pela Sauber. Era rápido e experiente, mas nunca passou perto de ser um líder natural.

O mesmo se aplica a McNish: longe de ser um fenômeno, o escocês tinha laços com a F-1 desde o início dos anos 90, quando atuou como piloto de testes da McLaren que tinha Ayrton Senna e Gerhard Berger como dupla de pilotos. Desde então, foram anos testando esporadicamente para equipes como Benetton e Williams, até a chance única de, finalmente, ser piloto titular na categoria.

O primeiro ano da Toyota foi bastante discreto: Salo foi o responsável pelos únicos dois pontos registrados pelo time no Mundial de Construtores, o que permitiu ao time fechar a temporada empatado com as fraquíssimas Minardi e Arrows.

Para o ano seguinte, os diretores da equipe promoveram uma estranha "reformulação" na dupla de pilotos, trazendo mais dois veteranos: Olivier Panis e Cristiano da Matta. Se o brasileiro fazia sua estreia na F-1 após longos anos conquistando títulos no automobilismo norte-americano, o francês, a exemplo de Salo, já era uma das cartas marcadas do paddock, com um currículo longo que incluía equipes como Ligier, Prost e BAR.

O primeiro duelo interno foi vencido por Da Matta, que marcou dez pontos, contra seis de Panis. Estes 16 pontos colocaram o time nipônico na oitava posição do Campeonato de Construtores. Uma pequena evolução que fez com que a direção da equipe optasse por manter a mesma dupla de pilotos para 2004.

No entanto, a temporada seguinte se mostrou pior do que a de 2003. O francês marcou apenas seis pontos, contra três do brasileiro, que deixou a equipe na reta final da temporada para dar lugar a Ricardo Zonta, então piloto de testes da escuderia. Panis também foi dispensado e, em seu lugar, entrou Jarno Trulli, demitido da Renault.

Começava, ali, a mais longa e bem-sucedida parceria da breve trajetória da Toyota na F-1. Entre 2004 e 2009, Trulli fez 90 corridas e conseguiu 129,5 pontos, duas poles e sete pódios. É, de longe, o melhor piloto que a equipe já teve, ao menos nas estatísticas _o que, obviamente, não foi suficiente para levar os japoneses às vitórias ou disputas diretas por títulos.

O fato é que a Toyota sempre escolheu mal seus pilotos. Mesmo tendo o maior orçamento da categoria, os japoneses tiveram nove representantes em seus cockpits, mas o único que foi verdadeiramente projetado pelo time foi Kamui Kobayashi, neste fim de 2009.

Embora tenha lançado McNish e Da Matta, estes são dois casos de pilotos já veteranos e sem o mesmo entusiasmo juvenil que o novato japonês trouxe à equipe nos GPs do Brasil e de Abu Dhabi deste ano.

Optando sempre por pilotos experientes, pouco motivados e em fim de carreira, como Ralf Schumacher, Olivier Panis, Jarno Trulli e Mika Salo, a Toyota jamais conseguiu chegar onde quis, e seu longo e ambicioso projeto transformou-se em um fracasso retumbante que culminou com a saída do time pela porta dos fundos da categoria.

Faltou à escuderia um líder natural e realmente veloz como um Fernando Alonso, ou um Kimi Raikkonen. Ou, quem sabe, um piloto local que roubasse a cena e injetasse nos japoneses um pouco de entusiasmo e motivação para fazer a "mágica" acontecer.

Não houve tempo. Quando o jovem Kobayashi surgiu como uma lufa de ar fresco nos carros vermelhos e brancos para dar, enfim, uma verdadeira identidade ao time _algo que faltou durante todos estes anos_, já era tarde: a decisão de abandonar a F-1 certamente já havia sido tomada.

Confira abaixo os números da Toyota:

Temporadas:
8 (2002 a 2009)

Largadas:
139

Pole-positions:
3
- Jarno Trulli (GP dos EUA 2005)
- Ralf Schumacher (GP do Japão 2005)
- Jarno Trulli (GP do Bahrein 2009)

Pontos:
278,5
- Jarno Trulli: 129,5
- Ralf Schumacher: 70
- Timo Glock: 49
- Cristiano Da Matta: 13
- Olivier Panis: 12
- Kamui Kobayashi: 3
- Mika Salo: 2

Pilotos:
Allan McNish (2002)
Mika Salo (2002)
Olivier Panis (2003 a 2004)
Cristiano Da Matta (2003 a 2004)
Ricardo Zonta (2004)
Jarno Trulli (2004 a 2009)
Ralf Schumacher (2005 a 2007)
Timo Glock (2008 a 2009)
Kamui Kobayashi (2009)

Classificações no Mundial de Construtores:
2002: 10º - 2 pontos
2003: 8º - 16 pontos
2004: 8º - 9 pontos
2005: 4º - 88 pontos
2006: 6º - 35 pontos
2007: 6º - 13 pontos
2008: 5º - 56 pontos
2009: 5º - 59,5 pontos


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