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Top 10 do GP do Brasil: 1982, punição coroa Prost

Piquet dá show e ganha prova, mas FIA dá vitória a Prost após irregularidades

Publicado em 14/10/2009 - 11h18 Bruno Vicaria
De São Paulo


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Alain Prost, da Renault, em Jacarepaguá, em 1983 ampliar foto

Alain Prost, da Renault, em Jacarepaguá, em 1983

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Para entendermos o polêmico GP do Brasil de 1982, segunda etapa da temporada, era preciso entender o regulamento da época.

As regras determinavam que o peso mínimo do carro era obtido com os reservatórios de água e óleo cheios. Devido ao consumo natural, o regulamento previa que, depois de cada corrida, as equipes podiam reencher os reservatórios de água e óleo no final da corrida, antes da pesagem.

Desta forma, as equipes boas, com motor aspirado (Williams, Brabham e McLaren) perceberam um "furo" nas normas para ganhar vantagem sobre as que usavam motor turbo (Ferrari e Renault, as melhores): fizeram carros bem mais leves (algo em torno de 30 a 40 kg) , com tanques extras de água ("para refrigerar os freios") e reservatórios de óleo bem maiores do que o necessário. Apenas para enchê-los depois da corrida e, com isso, fazer os carros chegarem ao peso mínimo.

Para dar verossimilhança ao tanque de água (também chamado de "caixa preta", devido à cor do plástico), disseram que era para "refrigerar os freios". E adaptaram uma mangueirinha e um esguicho acionável pelo piloto de dentro do carro. Mas, claro, o piloto não usava esse treco na corrida...

Isso parece apenas uma questão técnica, mas havia política no meio. Bernie Ecclestone, presidente da FOCA (Associação dos Construtores da F-1) e Jean-Marie Balestre estavam em litígio (o motivo, como sempre, grana e controle político da categoria). As equipes inglesas (incluindo a brasileira Fittipaldi) eram pró-Bernie e as italianas e francesas, pró-Balestre. Neste clima, a categoria chegou a Jacarepaguá, após a vitória de Alain Prost no GP de abertura, na África do Sul.

Para os brasileiros, o ano não começava bom: depois do primeiro título, no ano anterior, Nelson Piquet abandonou a primeira prova do ano e colocou a Brabham apenas em sétimo no grid; a bordo da March, o estreante Raul Boesel saia em 17°, enquanto Chico Serra, no único Fittipaldi, era o penúltimo. Na outra ponta do grid, Alain Prost colocou a Renault na ponta, seguido pela Ferrari de Gilles Villeneuve e a Williams de Keke Rosberg.

Na largada, Villeneuve e a outra Renault de René Arnoux sairam melhor que Prost. melhor ainda partiu Rosberg, que, com o carro aspirado, caiu rapidamente para quarto. lá atrás, Piquet vinha como um touro, passando um por um e colando em Arnoux, segundo.

A ultrapassagem demorou algumas voltas, mas aconteceu. Atrás dele, Rosberg estava encapetado, e os dois passaram a trocar de posições pelo segundo lugar. Villeneuve não estava em seu melhor rendimento, o que fez Piquet e Rosberg colarem nele. A partir de então começava uma disputa feroz pela liderança.
Depois de 29 voltas intensas, Villeneuve sucumbiu à pressão de Piquet, e rodou ao tentar sustentar a liderança, ficando preso nas cercas de proteção e abandonando a corrida. Enquanto isso, Boesel e Serra abandonaram ao escaparem da pista.

Piquet, a partir de então, abriu uma vantagem segura de cinco segundos sobre Rosberg e venceu, seguido do finlandês e de Prost. A corrida foi tão intensa para o atual campeão mundial que ele desmaiou no pódio, tendo de ser amparado pelos pilotos e autoridades e ficando mais de uma hora no centro médico após a corrida.

No entanto toda a comemoração do brasileiro, da Brabham e do público durou pouco tempo. Três semanas depois, a FIA desclassificou Piquet e Rosberg pela "artimanha" citada no início do texto, e a vitória caiu no colo de Alain Prost, que iniciava ali a saga que lhe daria o apelido de "Rei do Rio", com cinco vitórias em dez corridas disputadas no circuito de Jacarepaguá.

Veja um resumo da corrida, na narração de Galvão Bueno:



Fonte: YouTube, Forix, Blog PandiniGP, Grand Prix Guide


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