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Entenda a polêmica que provocou o racha na F-1

Crise econômica mundial foi estopim para queda-de-braço entre FIA e equipes

Publicado em 18/06/2009 - 22h32 Hugo Becker
Da Redação


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Reunião da Fota em Genebra, na Suíça ampliar foto

Reunião da Fota em Genebra, na Suíça

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A guerra política entre a Fota e a FIA começou a se desenhar ainda no fim de 2008, paralelamente à eclosão da crise econômica mundial.


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Problemas nas grandes economias do planeta passaram a ser pretexto para a debandada de diversas montadoras de suas respectivas categorias, como a saída da Subaru do WRC, da Kawasaki da MotoGP e o fim da equipe Honda na F-1, culminando posteriormente no surgimento da Brawn.

Baseando-se na preocupação com este cenário, Max Mosley, presidente da FIA e eterno defensor do barateamento de custos na F-1, decidiu colocar em prática um antigo plano: limite de custos no orçamento das equipes. A medida visava não apenas reduzir os gastos da categoria como também atrair novas escuderias para o grid.

O polêmico "duplo regulamento" para 2010

Em 29 de abril deste ano, a FIA reuniu seus conselheiros e decidiu o novo pacote de regras para 2010. Além de um teto orçamentário opcional no valor de £ 40 milhões (€ 47 milhões), havia uma clara divisão da F-1 naquilo que as atuais equipes passaram a chamar de "duas categorias em uma": as escuderias que aderissem ao teto teriam benefícios quase ilimitados, como motores mais potentes, testes livres durante a temporada e uso irrestrito dos túneis de vento; já os times que não concordassem com o limite ficariam privados de tais regalias.

A partir deste momento, a crise definitivamente se instalou na categoria. Equipes cujos orçamentos beiravam ou superavam os € 300 milhões _casos de Ferrari, McLaren, Renault e Toyota_ imediatamente protestaram contra o regulamento.

Novas polêmicas, novas equipes

As inconstâncias da FIA com relação ao Regulamento Esportivo para 2010, como a introdução de um novo critério em que o piloto campeão seria aquele que conquistasse mais vitórias, e não o que somasse mais pontos, passaram a ser agregadas às contestações cada vez mais crescentes da Fota.

Por outro lado, equipes aspirantes a uma vaga na F-1 como Lola, Prodrive, Manor e Epsilon Euskadi passaram a manifestar diariamente, de forma oficial, o interesse claro em ingressar na categoria a partir de 2010.

Ao mesmo tempo, para os atuais times, novas questões começaram a surgir, como a "injusta divisão financeira" entre as equipes e a federação e o excesso de autoridade política do presidente da FIA à frente da categoria.

Mosley era o verdadeiro problema

Aos poucos, o cenário foi se tornando cada vez mais nítido: a questão já não era apenas um regulamento controverso ou o teto orçamentário, mas sim a maneira com que Mosley comanda a categoria.

A Fota então perdeu parte de sua força: Williams e Force India "traíram o movimento" e confirmaram presença incondicional no campeonato de 2010 da F-1.

Já os oito membros restantes do grupo apresentaram apenas inscrições condicionais: somente participariam da próxima temporada mediante a alteração radical do regulamento e da "forma de governar" da FIA.

Em Mônaco, o primeiro sinal do "racha"

No fim de semana do GP de Mônaco, em maio, os oito membros da Fota se reuniram no iate de Flavio Briatore e, após a reunião, revelaram pela primeira vez a ameaça conjunta de abandonar a F-1 caso a situação não se adequasse aos seus interesses. A Ferrari já havia feito a mesma manifestação dias antes, transformando-se em uma espécie de "líder" das insurgentes.

No entanto, Mosley não se deixou intimidar: manteve o regulamento, sem atenuantes, e divulgou uma semana depois a lista de equipes inscritas para 2010. A relação contava com as dez equipes atuais, mais três estreantes: Manor, Campos e US F1.

O "grande erro" da FIA

Em comunicado, a Fota afirmou que a presença de seus representantes na lista era "um grande equívoco" da FIA e manteve sua postura.

Embora Ferrari, Red Bull e Toro Rosso fossem teoricamente obrigadas a permanecer na categoria devido a contratos assinados no passado, as oito equipes da associação declararam publicamente que as inscrições permaneciam "condicionais".

A semana corrente mostrou-se decisiva: o tom das ameaças das equipes lideradas pela Ferrari crescia cada vez mais, enquanto Mosley buscava um acordo. Em uma carta, propôs alterações no outrora imutável regulamento para o próximo ano e cedeu parcialmente em itens como o teto orçamentário e o duplo conjunto de regras que dariam mais benefícios às equipes que o aderissem.

A decisão antes da "decisão"

O anúncio definitivo dos times que comporiam o próximo campeonato estava previsto para esta sexta-feira. Mas antes disso, a Fota fez uma nova reunião e decidiu oficialmente abandonar a F-1.

Ferrari, McLaren, BMW, Renault, Toyota, Toro Rosso, Red Bull e Brawn divulgaram comunicado na noite desta quinta afirmando que não estarão presentes na categoria em 2010 e dizendo de forma clara que criarão um novo campeonato.

Um duro golpe para Mosley, que certamente tentará um contra-argumento que justifique a manutenção de algumas destas escuderias, ou todas, na F-1.

No entanto, apesar do mais recente anúncio da Fota, a polêmica parece ainda estar longe do fim.


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