No Trilho da F1
A GP3 tem um novo campeão
Valtteri Bottas é campeão da GP3
Para os apaixonados pelo mundo a motor, setembro marca o início de uma fase triste: é quando os diversos campeonatos pelo mundo começam a finalizar suas temporadas. Época de iniciar um balanço de tudo o que aconteceu, identificar os destaques, apontar as decepções e, além, é claro, festejar os campeões. E neste final de semana foi a vez da GP3 encerrar as atividades do ano em Monza e o título ficou com o finlandês Valtteri Bottas.
A categoria foi tratada aqui no blog no dia primeiro de agosto e o foco foi a competitividade do campeonato, sendo que naquele momento “pelo menos sete pilotos tinham condições claras e reais de conquistar o título”. E foi feita uma provocação que será respondida hoje: “É mesmo a categoria assim tão competitiva ou é a qualidade dos pilotos que não colabora para que desponte um destaque?”.
Bottas começava a aparecer mais que os outros naquele momento. Além de Rio Haryanto, o finlandês da equipe Lotus ART era o único com duas vitórias, mas ambas conquistadas nas últimas etapas. Haryanto, no entanto, não estava na disputa pelo título, pois tinha amargado péssimos resultados nas provas que não venceu. Vieram Spa-Francorchamps e Monza, e Bottas tomou para si o papel de destaque conquistando outras duas vitórias, uma em cada pista.

Com a pista molhada na Alemanha, numa grande apresentação
Com um estilo até comum para pilotos jovens, agressivo e arrojado, Bottas se destaca por cometer poucos erros mesmo andando quase sempre no fio da navalha. Estar num time grande e estruturado também ajuda, mas não garante o sucesso. Foram grandes atuações durante a temporada, como a primeira volta em Nürburgring, debaixo de um temporal e que, exageros a parte, lembrou muito a de Ayrton Senna em Donington Park em 1993. Com tudo isto, Valtteri Bottas conquistou o título com sete pontos de vantagem para o inglês James Calado.
Sobre os brasileiros, Leonardo Cordeiro e Pedro Nunes, na coluna de agosto foi dito que “considerando que é o segundo ano de ambos na categoria, os números não eram tão animadores” baseados nos resultados mostrados até então. Para Cordeiro nem tanto, pois a equipe Carlin não reproduz na GP3 a mesma força que apresenta na F3 Inglesa e, apesar do companheiro de equipe, o norte-americano Conor Daly ter marcado pontos, foram poucos e na maioria da vezes andou atrás também.
Para Pedro Nunes não é assim tão simples. Companheiro de equipe do campeão Valtteri Bottas na Lotus ART, o piloto passou o ano em branco e decidiu não disputar as duas últimas etapas da categoria. Nunes foi substituído pelo neozelandês Richie Stanaway que logo de cara marcou sete pontos, sendo seis provenientes de uma vitória na segunda prova da Bélgica. Se as condições do brasileiro frente aos rivais eram as mesmas, não se sabe, mas pegou mal sair sem marcar pontos e ser substituído por um piloto que chegou vencendo no, teoricamente, mesmo carro.
O sentimento que fica no final da temporada é que foi sim um grande campeonato, com disputas épicas dentro das pistas. A categoria ainda não conseguiu o status desejado, pois rivaliza diretamente com as F3 pela Europa como o penúltimo degrau para os pilotos chegarem à F1. Mas com um grid cheio e com uma “meia duzia” de bons pilotos na pista, vem proporcionando um belo espetáculo para os apaixonados pelo mundo a motor, que já se entristecem com o avanço de setembro.
