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Cilindrada

Correndo com tesouras

Rodrigo Lombardi
09/02/2012
Acidente de Valentino Rossi em Mugello, no ano de 2010(Divulgação)

E daí? Qual é a boa da semana? Nenhuma? É.

Nada de novo após os testes na Malásia, semana passada. Pelo menos não dentro das pistas, mas, dentro das salas cirúrgicas, o agito foi grande. Rossi sofreu intervenção para remover uma placa de metal da perna direita, que foi colocada lá ainda em 2010, quando caiu feio em Mugello. A perna finalmente está curada e a placa não se faz mais necessária.

Para não ficar atrás da contagem de cicatrizes da Ducati, Hayden também foi para a faca e consertou a clavícula quebrada no final de 2011. Na época, não operaram o rapaz, e deu no que deu. Perdeu muito tempo de pista no primeiro teste desse ano.

As previsões apontam que Valentino Rossi estará pronto para os próximos testes, que acontecem a partir de 28 de fevereiro, novamente na Malásia. Já Nicky Hayden tem sua situação em aberto, e sua participação permanece como dúvida até o pronunciamento oficial da Ducati.

Dei essa pequena volta pra ressaltar a admiração que tenho por esses malucos. Não dá pra explicar o que motiva o cara a subir em uma motocicleta e se arriscar tanto assim. Cair, machucar, e nem ligar se vai ter que operar ou não. Uma a mais, uma a menos, estatísticas e só.

Tem gente que ensaia por dias antes de cortar o cabelo, e mesmo assim titubeia “na hora H, no dia D, na hora de pagar pra ver”, como diz o gaúcho cantor daquela banda que eu gosto.

Penso que algumas cabeças tem um parafusinho a mais, sim, a mais, já que a menos não faz falta nenhuma para ninguém.

Será que estamos encarando nossas corridas e operações como deveríamos? Destemidos e adrenados, confiantes e resolutos? Ou estamos deixando o medo de tesouras cortar mais do que deveria nesse caminho tão curto?

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9 de Fev. de 2012 às 17:31 - Rafael Galavoti

A comparação implícita entre "esses caras" (pilotos profissionais) e outros motociclistas não foi muito feliz.O motivo pelo o qual pilotos sobem em uma motocicleta para se arriscar é pois eles são atletas preparados e portanto, apaixonados por seu esporte e,além disso, sabem que os riscos em seu esporte tornaram-se cada vez mais calculados. Na MotoGP corre-se nos melhores autódromos (basta comparar o que acontece com as motos na maioria das quedas: elas param na brita e não voam como nos autódromos brasileiros), com os melhores equipamentos de segurança (macacões com air bag,botas e capacetes de primeira linha). Os riscos são calculados e em franca redução.Mas claro, assim como mesa tenistas (pratico esse esporte) eventualmente torcem o tornozelo, no motociclismo a fatalidade marca de quando em quando seus pontos:recentemente Simoncelli e Tomizawa. A coragem eles têm assim como vários motociclistas de final de semana (meu caso) que precisam entender que a situação de corrida é muito controlada e não é "não temendo" a queda ou a cirurgia que se constrói bons pilotos. Garanto que nenhum piloto profissional quer cair ou ir para uma cirurgia só encaram isso com mais resignação do que nós,reles mortais, pois sabem que se precisam delas é pois algo de bem errado aconteceu... Corajosos apaixonados por motoEvelocidade idem os que sobreviverão a essa paixão nas ruas são poucos e os que conseguiram galgar os tortuosos caminhos financeiros para a moto GP são menos ainda.

11 de Fev. de 2012 às 02:39 - Rodrigo Lombardi

Se pareceu implícito a relação rua e pista, foi uma coisa que o amigo sentiu a necessidade de externar. Vejo isso como uma coisa positiva, sendo que, diametralmente opostas, uma coisa não pode fomentar a outra. Gostei de ver que o amigo é um motociclista consciente, visando preservar a si e aqueles ao seu redor. Outro leitor pode ter interpretado de outra maneira, e finalmente ter feito o pedido de casamento que há anos não se permitia e que o privava de uma vida feliz ao lado de outro alguém. Grande abraço.