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Blog da Vanessa Ruiz

Vettel bicampeão e o que resta da temporada 2011

Vanessa Ruiz
09/10/2011
Vettel se aproxima do muro para saudar equipe após bicampeonato(Ger Robertson/Getty Images)

Vettel

Podia começar esse texto lembrando a primeira vez que vi Sebastian Vettel fora da pista, numa festa de fim de temporada em que Nico Rosberg era o pote de gel em pessoa e Vettel tinha cabelo desgrenhado, e vestia a mesma camisa xadrez por cima da mesma camiseta e a mesma calça jeans que usava pra chegar ao autódromo no início dos dias de trabalho.

Talvez fosse o caso de citar também a primeira vez em que participei de uma coletiva de imprensa com ele e quão pouco afetado soava. Não tinha o charme full-time de Jenson Button, a arrogância de Fernando Alonso ou o ar de vítima de Mark Webber. Piadista, na dele e totalmente "alemão" -- se levarmos em conta o lado do perfil cultural germânico que tanto valoriza precisão e planejamento.

Diz a "regra" (regra?), no entanto, que o que Vettel é como pessoa pouco deveria nos interessar como analistas técnicos da Fórmula 1. Mas estamos todos carecas de saber que essa cisão é inviável. Além do talento que nem precisamos mencionar de tão destacado, Vettel se torna praticamente inquestionável porque sua personalidade não incomoda nem provoca, ela atrai.

Fez bobagens, amadureceu (coisa que outro jovem detentor de título, Lewis Hamilton, não está conseguindo fazer), é bicampeão mundial e tem uns bons 18 anos de carreira pela frente se o vício em sucesso e adrenalina se igualar, mas sem pausas, ao de Michael Schumacher. Vettel já disse que quer parar bem antes disso. Será?

Imaginar como a carreira vai se desenhar daqui em diante é um exercício ao mesmo tempo inútil e divertido. Como Vettel vai se sair em um carro menos genial? Vai bater o recorde de Schumacher? Com menos idade? Etc, etc, etc.

A temporada 2011

Acabou? Acabou e não é de hoje. O título de Vettel não muda nada. Há umas boas etapas que a briga é pra ver quem vai ser o vice, que companheiro de time vai terminar na frente de quem. Ou seja: sem drama, toca o bonde, tem mais quatro etapas pela frente.

Podem chamar Felipe Massa de chorão, mas que Hamilton está ficando chato com essas burradinhas em sequência, está. Sabem por quê? Porque essa suposta ousadia não o está levando a lugar nenhum. É o quinto no Mundial de Pilotos. Com 178 pontos, tem chances matemáticas de ficar com o vice, mas é nítido que, em termos de McLaren, o negócio está mais para Jenson Button (210 pontos) -- pela consistência, pela consciência do que precisa ser feito. Alonso, terceiro com 202, faz o que pode e parece que terceiro é um bom lugar para ele. Para resumir Mark Webber (quarto com 194 pontos) em poucas palavras, falta... hm... brilho pro rapaz.

Se sobrar alguma coisa para o Brasil, vai ser a emocionante decisão do segundo lugar. E digo isso sem ironia. A conquista de Vettel no Japão reúne uma série de fatores incríveis, mas dizer que teve emoção seria exagerar (demais).

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