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Blog da Vanessa Ruiz

Memorial de Dan Wheldon foi um alento

Vanessa Ruiz
24/10/2011

Ontem, depois da jornada de cobertura da morte de Marco Simoncelli, confesso que estava bastante sensível à coisa toda. Quando aconteceu o acidente e vi a imagem do cara mais louco, mais irreverente da MotoGP jogado no chão sem capacete, gelei.

Depois da morte de Gustavo Sondermann, eu quis nunca mais sentir aquele aperto no meio do peito que dá quando, lá no fundo, você já sabe que já foi, que não tem volta mesmo e sua função é divulgar a notícia. Não tem abraço na família, não tem pêsames, não tem tempo de sentir a sua própria angústia. Sua função é divulgar a notícia.

Quando ouvi: "Dan Wheldon passed away", senti tudo aquilo de novo. Um pˆ#%@ aperto no peito. E digitei a frase em português e dei enter no Twitter e cumpri minha função de jornalista naquela hora. No caso de Simoncelli, o aperto foi imediato, veio junto com a cena. Não tinha como sobreviver àquilo.

Após a terceira morte em pista no ano, a cerimônia em celebração a Dan Wheldon foi um alento. Teve classe, delicadeza, riso. Um riso bacana mesmo, daqueles que se mantêm num sorriso prolongado. E, olha, boa parte disso foi graças à doçura de Tony Kanaan, Dario Franchitti e Bryan Herta, ex-colegas de time. Eles, eu já conhecia. Os demais, não, mas vale citar o bom-humor de uma sensibilidade tremenda demonstrado pelo diretor de Marketing da Panther, Mike Kitchel, e a segurança dos managers de Wheldon, Mickey Ryan e Adrian Sussmann, de quebrar aquele tom sóbrio que tinha tudo para prevalecer num momento como este e se entregar à felicidade de estar ali elevando um amigo.

Fiquei 2h acompanhando o streaming do memorial, não conseguia sair de perto do computador. Depois de cobrir os três acidentes e as três passagens, posso dizer que foi a homenagem a Wheldon que liberou boa parte do peso.

Ver que estava sendo celebrada a vida e não a morte foi um alívio, uma inspiração no meio do susto, do abatimento pós-trauma que acomete todos aqueles que estão envolvidos de perto ou de longe -- o sentimento é sempre de perto. A morte veio, mas a vida prevalece, vai além do corpo dilacerado ainda que fraquejemos a ponto de nos deixarmos machucar, também, a cada vez que acontece algo assim. Estamos todos de pé novamente. Segue o jogo.

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25 de Out. de 2011 às 03:19 - André

Confesso que é reconfortante mesmo, Vanessa. Mas eu mesmo ainda sigo triste com tudo isso, e espero que não tenha sido uma perda em vão, e que o automobilismo aumente sua segurança com esse ocorrido.